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10 lições que aprendi ao morar com 8 estrangeiros [a #9 é a melhor]

Na hora de escolher acomodação, a regra geral é um tanto óbvia: quanto mais gente morando na casa, mais barato é o aluguel. 

Foi assim que eu e a Tamara nos mudamos para um sobrado de seis quartos no Surry Hills, bairro na região central Sydney. Tínhamos um quarto só para nós – ufa! -, mas ainda assim dividíamos o teto com outras oito pessoas.

Dos dez abençoados que moravam por lá, oito – incluindo a gente – dividiam um mesmo banheiro. Entre perrengues e bons momentos, saímos dessa experiência com uma série de aprendizados (e alguns preconceitos quebrados). Confere aí:

 

1. Franceses não são sujos

Baptist franceses não são sujos

Um dos primeiros amigos que fizemos na casa foi o Baptist, um francês que tinha hábitos muito parecidos com os dos brasileiros. Enquanto alguns moradores faziam todas as refeições no quarto e não apareciam muito pra tomar banho, ele jantava com a gente na mesa da sala, escovava os dentes com frequência e tomava banhos normalmente. Mais tarde Baptist contou que ficou aliviado quando chegamos, pois segundo ele éramos as únicas pessoas normais da casa.

 

2. Socializar não é obrigatório

No Brasil, quem não interage muito com outras pessoas frequentemente é visto como antipático ou mal educado. Na gringa é bem diferente. Não só porque algumas culturas são mais fechadas, mas também porque cada pessoa tem sua rotina. Alguns trabalham o dia todo e estudam à noite, por exemplo, e quando chegam em casa só querem ficar no seu canto. O legal é que a maioria dos gringos respeita o espaço do outro, sem se intrometer.

 

3. Saber os horários em que cada pessoa toma banho é uma questão de sobrevivência

Chuveiro gás Austrália sobrevivência

As casas na Austrália geralmente tem aquecimento a gás. Isso pode se tornar um problema quando duas ou três pessoas tomam banho na sequência. A água quente acaba e você tem que encarar um banho gelado. Portanto, é melhor sempre se programar para pegar o banheiro vazio e o chuveiro quente.

 

4. Existe gente sem noção em qualquer lugar do mundo (E gente legal também)

Ao chegar em uma cidade que tem imigrantes do mundo todo, a gente cria a mania de rotular as pessoas por países. Tipo: japoneses são quietos e educados, italianos falam gritando e argentinos são arrogantes. Algumas generalizações podem até ter um fundo de verdade, mas as exceções são tantas que derrubam a regra bem rápido. Por exemplo, conhecemos alguns peruanos bem falcatruas. Em compensação, uma das pessoas mais generosas que encontrei foi o Javier, também do Peru. No fim, vale a máxima “cada caso é um caso”.

 

5. A cozinha diz quase tudo sobre os moradores

pia cozinha Austrália morar estrangeiros

Só de olhar para a pia é possível saber se a casa é organizada ou não. Nossa casa já foi um completo caos. Em um dos quartos moravam duas irmãs irlandesas que nunca lavavam a louça, deixavam copos espalhados por todo lugar e ainda faziam barulho o tempo inteiro. Chegou ao ponto de o proprietário instalar uma câmera sobre a pia da cozinha. Felizmente, elas foram embora e a situação melhorou, com pessoas limpas e organizadas.

 

6. Mais cedo ou mais tarde, alguém vai perder as chaves

perder chaves maçaneta porta

Na verdade, isso aconteceu quando moramos só com brasileiros, no nosso primeiro mês de Austrália. E voltou a acontecer algumas vezes depois, quando já dividíamos a casa com estrangeiros. É bom estar preparado pra acordar às 3 da manhã e abrir a porta, porque as chances de alguém perder as chaves de madrugada voltando de uma festa é muito maior. Ah, nem precisaria falar: tente não ser o cara que acorda os outros de madrugada.

 

7. Infelizmente, seus amigos da casa vão embora logo, logo

Amizades sempre valem a pena, mas não adianta ficar triste com as despedidas. Isso acontece o tempo todo numa share house (nome dado para as casas compartilhadas) por causa do perfil de quem mora neste tipo de acomodação.

São quase sempre pessoas que: estão fazendo um intercâmbio; querem economizar dinheiro; estudam para voltar ao seu país com mais oportunidades; ou simplesmente têm uma sede insaciável de conhecer o mundo.

Não dá pra imaginar alguém com essas características ficando muito tempo em um mesmo lugar. Todo mundo é meio nômade – ou vai se tornar em breve.

 

8. Você vai adquirir um hábito dos colegas

tea time hábito tomar chá

Foi assim com o “tea time”, que surgiu meio de brincadeira. Era a hora em que a galera da casa se reunia, geralmente depois da janta, pra tomar um chá e conversar. Resultado: viramos praticamente ingleses de tanto chá que tomamos hoje em dia. Os amigos que compartilhavam a hora do chá foram embora, mas a mania ficou. Ainda bem que é um hábito saudável.

 

9. 90% dos nossos bens materiais são absolutamente dispensáveis

Quando o único espaço privado que você tem na casa é o seu quarto, você simplesmente abre mão de juntar tralhas. Os exemplos também ajudam. Tem moradores chegando e saindo o tempo todo e às vezes a vida toda deles cabe em uma mala.

Fora isso, tudo que a gente comprar será um peso a mais na nossa próxima viagem. Não quer dizer que vamos jogar tudo fora e andar pelados por aí. Mas a velha ideia de que dá pra ser feliz com bem pouco é totalmente verdade.

 

10. Nossa casa é qualquer lugar onde a gente se sinta bem

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Fomos criados com a ideia de encontrar o lugar “perfeito” pra morar e, a partir daí, fincar raízes. Acontece que em cada fase da vida temos ideias diferentes. Assim, a concepção de moradia ideal muda junto com o nosso jeito de encarar as coisas.

Ou seja, se nos sentimos bem dividindo uma casa em Sydney com 8 pessoas, ótimo. Se daqui a um mês a gente quiser mudar, sem problemas. Uma das melhores coisas foi encontrar pessoas com essa mesma visão e perceber que não ficamos malucos. Afinal, sendo feliz tá tudo certo.

 

Agora, uma dúvida que muita gente tem sobre moradia é a seguinte:

Dúvida de intercâmbio: morar com brasileiros ou estrangeiros

 

Fotos 1 a 5 © Nós na Gringa / Foto 6: Unsplash

Intercambista, produtor de conteúdo e viajante compulsivo. Faz planos para o futuro diariamente e muda de ideia com a mesma frequência. Depois de morar fora, percebeu que ser tímido não é barreira para nada.