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Intercâmbio ajuda ou atrapalha na carreira?

Ninguém tem dúvida que dominar um ou mais idiomas estrangeiros é um ponto positivo no currículo. Mas, na prática, o que acontece com quem passa um tempo fora do Brasil trabalhando em “subempregos”?

A experiência de intercâmbio traz benefícios para a carreira ou o tempo que a pessoa passa fora do Brasil acaba atrasando a vida profissional?

Responder a essas perguntas não é tão simples quanto parece.

No entanto, este post vai te ajudar a ter uma noção mais clara dos benefícios e dificuldades enfrentadas por intercambistas no mercado de trabalho.

Vamos a elas?

 

Começando do começo: o que é carreira?

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Para muita gente, carreira é sinônimo de trabalhar no mundo corporativo, ou seja, ser funcionário de uma empresa.

Então, antes de mais nada, é preciso entender que uma carreira pode englobar várias outras coisas, entre elas empreender e ter seus próprios projetos ou negócios.

Você já reparou que boa parte das pessoas que voltam de um intercâmbio decidem, por pura vontade própria, não retornar para seu trabalho anterior?

Isso não é por acaso. Uma experiência no exterior realmente mexe com a gente e nos faz repensar uma série de coisas. Obviamente, o trabalho – e nossa relação com ele – é uma delas.

 

Como se tornar o mais “empregável” possível

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Tudo bem, você já sabe que carreira não necessariamente significa ter um trabalho com carteira assinada. Mas talvez você ainda queira ter um emprego, e não há nada de errado nisso.

Então a sua dúvida deve ser a seguinte: um intercâmbio vai me tornar mais “empregável” do que eu era antes? Ou, do contrário, vai diminuir minhas chances de colocação no mercado de trabalho?

E, antes de dar a resposta, quero te devolver a seguinte pergunta: o que torna alguém “empregável”? Na minha opinião, existem dois fatores principais:

1 – Ser muito bom em uma habilidade específica (especialista).

ou

2 – Ter uma série de habilidades que possam ser usadas nas mais diversas áreas, ou que possam ser usadas em diferentes situações dentro de uma mesma área (generalista).

O que isso tem a ver com intercâmbio? Bom, esse ponto nos leva ao próximo tópico.

 

Desenvolvendo habilidades: como ganhar tempo?

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Alternativa 1

Se a sua carreira é baseada na alternativa 1 (você trabalha, digamos, como programador especialista em uma linguagem em particular), pense no seguinte: falar inglês me ajudaria a ser ainda melhor no que eu faço hoje?

Provavelmente a resposta é sim, dado que a maior parte das informações do mundo está em inglês. Isso quer dizer que, se você quer continuar se especializando, entender inglês pode ser a chave para obter ainda mais conhecimento antes das outras pessoas.

Não necessariamente isso será verdade para todas as especialidades, e cabe a você mesmo responder.

 

Alternativa 2

Agora, se a sua profissão exige uma série de habilidades (mais comum na maioria das áreas), você está na alternativa 2.

Nesse caso você teria necessidade de desenvolver:

• Sua comunicação;
• Capacidade de aprendizado;
• Vendas;
• Gestão;
• Conhecimentos gerais e cultura;
• Criatividade;
• Modelos de negócio;
• Organização e processos;
• Busca de referências;
• Línguas estrangeiras;
• Etc.

Você pode desenvolver uma série de habilidades sem sair do Brasil, através de cursos, livros, entre outros. Porém, um intercâmbio certamente vai te expor (mesmo que você não queira) a uma infinidade de situações novas, a partir das quais você será praticamente obrigado a desenvolver habilidades.

O que quero dizer é que, de modo geral, a sua capacidade de ter um bom trabalho (seja um emprego, concurso ou empresa própria) é proporcional ao número de habilidades que você possui.

Se teve algo que fez minhas habilidades darem um verdadeiro salto em pouco tempo, essa coisa foi o intercâmbio.

Veja a seguir algumas das habilidades que desenvolvi morando fora.

 

(Algumas das) Habilidades que você pode desenvolver em um intercâmbio

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Quando morei fora pela primeira vez, a quantidade de habilidades novas que desenvolvi foi impressionante. Inclusive, já falei sobre isso neste post sobre os medos de intercâmbio. Vou citar algumas aqui para você ter uma ideia:

• Inglês fluente (ok, essa é óbvia);
• Gestão de equipe (gerenciando equipe de um restaurante);
• Delegar e cobrar tarefas;
• Captação de clientes (trabalhei em um lugar onde haviam dezenas de restaurantes brigando por clientes. Era preciso ser bastante persuasivo);
• Vendas (às vezes o chef de cozinha dizia: “Hoje precisamos vender o prato X pois os ingredientes estão se aproximando da data de validade”);
• Maior capacidade de aprender línguas em geral;
• Maior coragem para realizar qualquer meta de vida;
• Diminuição da timidez;
• Barista (fazer cafés, daqueles com desenhos);
• Bartender (preparar drinks).

E a lista segue com outras habilidade menos óbvias:

• Gestão de estoque (revisar quantidades dos produtos, repor os necessários, listar produtos para comprar, receber entregas de fornecedores);
• Gestão de caixa (abrir e fechar o caixa de um restaurante – pode servir pra muitos outros estabelecimentos e situações);
• Planejamento de viagens;
• Compra de passagens aéreas baratas;
• Escrita para blogs;
• Criação de websites;
• Fotografia (nada como uma viagem pra inspirar a gente a aprender sobre fotografia, incluindo pós-processamento de imagens);
• Edição de vídeos (você começa editando aquele vídeo com a GoPro e quando se dá conta pode estar manjando algo de Premiere, After Effects, Final Cut, etc.);
• Conhecimento básico de jardinagem em geral (outro tipo de trabalho que fiz);
• Conhecimento básico sobre bonsais (sim, uma de minhas tarefas era cuidar dessas pequenas plantinhas).

Esses são os itens que listei rapidamente relacionados aos trabalhos que fiz e, de certa forma, às viagens. Em termos de desenvolvimento pessoal a coisa vai muito mais longe. E é sobre isso que quero falar no próximo tópico.

 

Existe algo mais importante que as suas habilidades

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Pode parecer clichê, como citei no item #10 deste outro post, mas sem dúvida os maiores aprendizados de um intercâmbio são sobre você mesmo.

Existe algo mais importante do que as habilidades que você desenvolve. Esse algo é: saber o que fazer com todas as habilidades que você tem ou ainda vai ter.

Em outras palavras, você precisa conhecer a si próprio e entender o que deseja da vida. Caso contrário, não basta ser um mestre da computação, ninja das vendas, expert de gestão ou seja lá o que for. Não adianta você ser muito bom em algo se esse algo não traz felicidade para você.

O intercâmbio não vai te dar todas as habilidades do mundo – você ainda vai precisar desenvolver MUITAS mais. Porém, a partir da experimentação de novas situações, o intercâmbio ajuda a trazer CLAREZA do que a gente quer para a vida.

Depois que você tem clareza, as coisas continuam não acontecendo em um passe de mágica. Mas a diferença é que todo o esforço e trabalho duro passam a valer a pena. Afinal de contas, você passa a batalhar pelos seus próprios sonhos.

 

Conclusão

Lá na introdução comentei que não era fácil dizer se um intercâmbio ajuda ou atrapalha na carreira. Continua sendo uma resposta complexa. Mas acredito que agora tenha ficado claro que um intercâmbio ajuda você em duas coisas:

1. Ter mais clareza do que você quer;
2. Desenvolver uma série de novas habilidades.

Esses dois fatores, por sua vez, costumam contribuir bastante para que você siga a carreira que realmente deseja, usando todo o potencial adquirido durante sua vida – antes, durante e depois do intercâmbio.

Faz sentido para você? Qual é sua opinião sobre tudo isso? Deixe seu comentário para contribuir com a discussão.

Intercambista, produtor de conteúdo e viajante compulsivo. Faz planos para o futuro diariamente e muda de ideia com a mesma frequência. Depois de morar fora, percebeu que ser tímido não é barreira para nada.